segunda-feira, 25 de abril de 2011

Pazo Barrantes 2006: Albariño e Bacalhau, tudo a ver!

Elaborado por Pazo de Barrantes, uma vinícola do grupo espanhol Murrieta, este varietal Albariño estagia por 5 meses em barricas de carvalho. 13% vol álc.

Amarelo dourado, límpido e brilhante.

Nariz com marcante presença de frutas brancas, amarelas e cítricas, complementadas por uma nota vegetal. Desfilam banana, maçã, manga, pêssego e maracujá.

Redondo passo por boca, marcado por muito frescor e médio corpo. Palato é marcado por limão siciliano, maçã e notas vegetais. Final de boca longo. 15+

Ainda com alguns anos pela frente (se bem conservado), este galego das Rías Baixas, me apresentou duas novas situações:

* Os vinhos brancos, em condições adequadas de elaboração e armazenamento, envelhecem bem e ganham muito em complexidade.

* Se barricados e de bom corpo, os brancos são excelente opção para acompanhar o bacalhau da semana santa - e do ano inteiro!

Nesta sexta-feira especial, acompanhou duas preparações de bacalhau: escondidinho (com purê de mandioquinha e cobertura de catupiry) e postas assadas ao azeite com tomates e aspargos. Combinou com os dois. Encarou a untuosidade e a diversidade aromática do escondidinho, criando um conjunto elegante e amplo. Ao lado das postas, seu frescor suavizou a sensação de "mar concentrado" a cada bocado do peixe salgado.



quarta-feira, 20 de abril de 2011

Alto de La Ballena Rosé 2010: Rosado de peso!

Este rosé vem do terroir de Maldonado, no Uruguay. Os vinhedos ficam nas encostas da Serra de la Ballena, uma bucólica região, próxima a agitada Punta del Este. Em seu corte entram a Cabernet Franc (70%) e a Merlot. Sem passagem por carvalho. 13% vol álc.


Na taça apresenta uma bela cor vermelha, brilhante e translúcida.

Nariz com presença de frutos vermelhos e um toque cítrico. Morango e framboesa, acompanhadas por limão siciliano. Há, ainda, um aroma doce, de fruto maduro, que eu não consegui identificar.

Encorpado, acima da média dos vinhos rosés. Frescor marcante e um passo suave por boca. Em temperatura mais baixa, o frescor sobressai. Um pouco mais quente, o equilíbrio dá o tom. Retrogosto marcado pelo morango, com um toque especiado. Boa persistência. 10+

Em função do corpo, a companhia à mesa precisa ser pensada com carinho, pois, se por um lado o seu "peso" lhe permite encarar companhias mais ousadas (como um filé em um dia quente de churrasco, por exemplo), por outro, as entradinhas tradicionais serão atropeladas.

Neste caso, foi escalado para encarar um almoço que há muito eu ansiava por preparar: Moqueca Baiana de Camarão. Emho, foi uma escolha acertada. Encarou com vigor a moqueca. Esteve em sintonia com o camarão. À altura do rico caldo (dendê, tomate, pimentões, leite de côco e caldo de camarão). Perdeu apenas para o pirão, que como era apenas para mim, ganhou o aditivo de pimenta dedo-de-moça e ficou bastante "quente" (porém, ao meu gosto).

Abaixo, fotos da Moqueca e da maravilhosa vista que se tem a partir do deck de degustação da vinícola.

(desconto para o cheiro verde que ainda não havia sido incorporado)

(esta visita vale uma postagem...)

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Miros Tinto Roble 2007: TSM da Ribera del Duero

Bodegas Peñafiel elabora, em Ribera del Duero, este tinto, corte de Tempranillo, Cabernet Sauvignon e Merlot, na proporção de 85%, 5% e 10%, repectivamente. Estágio de ligeiros 3 meses em barricas de carvalho francês. 14% vol álc.

Algumas regiões vinícolas da Espanha, em especial Navarra e Ribera del Duero (com o Vega Sicilia Único, por exemplo), tem apostado em cortes com estas três uvas. TSM, de Tempranillo, cabernet Sauvignon e Merlot.

Nosso vinho apresenta na taça um belo rubi, de reflexos violáceos, algum brilho e densidade.

Nariz com frutas negras como amora e ameixa além da vermelha cereja, todas em boa maturidade. Complementam um discreto toque da madeira, além de pimentão, canela e mentol.

Taninos ainda jovens, que amadurecerão no próximo ano - ou dois, quem sabe?. Muito frescor, médio corpo e uma gostosa fruta madura completam as sensações no palato. Ao final, discreto amargor e uma pontinha de álcool. A amora e a cereja permanecem longamente no retro-olfato. Persistência 15+.

Um vinho ainda jovem e descomplicado, com certa “carne” e buquê, que agrada e convida ao próximo gole. Deve afinar nos próximos dois anos.

PS.: Este vinho já chegou com o malfado selo fiscal que, em emho, apenas "enfeiou" a garrafa. Feio com ele, feio sem ele. Não adianta removê-lo, pois a cápsula fica com uns pedacinhos colados. Triste...

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Yealands Way Pinot Noir 2009

Elaborado por Yealands Estate, uma vínicola com certificação carbon Zero, em Marlborough, Nova Zelândia, este varietal Pinot Noir estagia (30% do vinho) em barricas francesas (novas, de segundo e terceiro uso). 13,5% vol álc.

Rubi, brilhante e translúcido.

Nariz com frutas vermelhas, ervas aromáticas, especiarias e florais. Cereja, morango, cravo, tomilho e mangerona, entre outros, compõem uma instigante paleta aromática, de expressão mais contida, porém elegante e consistente.

Leve, quase magriço. Taninos finos e elegantes, em perfeita harmonia com a acidez viva. Repete o nariz. Cereja persiste por bom tempo nas retronasais. Na temperatura correta, uma nota doce marca o fim de boca, já com a temperatura um pouco mais alta, surge uma pontinha de álcool, que não chega a incomodar. 15+.

Seu estilo preza pela elegância, em detrimento da potência. Os aromas são elegantes e sutis e mostra-se muito amável no passo por boca. Irá bem com comidas simples, como um frango grelhado ou uma massa ao sugo, ou, ainda, torradas, patês, queijos e embutidos. É uma interessante opção para o dia a dia ou para reuniões descompromissadas.

Está em excelente momento para consumo e deve permanecer assim por mais um ano ou dois, porém, não apresenta potencial evolutivo para maior guarda.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Golden Triangle Pinotage 2008

Elaborado por Stellenzicht, em Stellenbosch, África do Sul. Varietal de Pinotage, com 14 meses de amadurecimento em barricas francesas (60%) e americanas. 14% vol álc.


Na taça apresenta um belo rubi com traços violáceos, muita densidade e brilho.

Ao serví-lo, nota-se sua expressão aromática. Boa integração entre frutas (amora e mirtilo, principalmente), notas de torrefação, baunilha, chocolate e especiarias. Aromas intensos que persistiram por mais de duas horas, até que o líquido evaporasse.

Corpo médio, taninos firmes e acidez presente. Elegante. Bom passo por boca, com final macio. Palato é marcado, principalmente, pelo frutado do nariz, com um toque defumado. Longo. 20+

Perfeito com queijos, nesta ocasião melhor com o gorgonzola, conversou com o montanhês. Irá bem com carne vermelha grelhada - e suculenta - e massa com molho de cogumelos (e por que não, um risoto de shitake?).

Assim como os últimos Pinotages que provei, este me agradou muito, não apenas por sua paleta aromática, que apresenta interessante complexidade para a faixa de preços, mas também por sua presença no palato, com um passeio suave e macio pelas papilas gustativas, sem amargor ou álcool aparentes. Parece estar em seu melhor momento de consumo e deve se manter assim pelos próximos dois anos.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Señorio da Regas 2009: Um corte de Albariño com muito frescor e intensidade...

Elaborado por Adegas Castro Brey em Camanzo, DO Rias Baixas, Espanha. Um gostoso corte de Albariño, Torrontés, Treixadura e Godello, com comportados 12,5o alc.

Amarelo tendendo ao dourado. Límpido e brilhante.

Intenso ao nariz. Frutas tropicais e brancas (maduras e no ponto ótimo de doçura), florais e pedra de isqueiro, além de uma nota herbácea (que não consegui definir).

Corpo médio, untuoso e fresco. Pêra, maçã verde. Final redondo. Retroolfato com uma interessante nota de gengibre. Persistência 10+.

Perfeito para dias de calor mais intenso. Ponto alto na companhia de mariscos, ostras e frutos do mar. Nesta ocasião acompanhou ravioli de carne ao creme de queijo. Se deu bem, mas não chegou a ser um delírio...

terça-feira, 22 de março de 2011

Rioja Reserva 99 e Lasanha ao Ragú de Cordeiro se completam muito bem...

O Rioja em questão é um Luis Cañas Reserva 1999. Corte típico, com predominância da Tempranillo e um pequeno aporte de Graciano (para dar graça ao vinho), ambas de vinhedos antigos. Envelhecido por 3 anos em barricas francesas e americanas.

A Lasanha, recheada com ragú de cordeiro em redução de tinto (a base de garnacha) com alcachofra e abobrinha e um toque de pimenta calabresa ao final, era a tentativa de reproduzir um prato que eu havia visto em um programa de televisão. O resultado final foi um prato de sabor pronunciado e boa untuosidade.

O casamento foi muito bom, com o vinho levantando os sabores típicos do cordeiro e com a acidez tratando muito bem da untuosidade do ragú.

Vamos ao vinho...

Rubi, brilhante e translúcido. Bordas acastanhadas, demonstrando alguma evolução.
Nariz intenso e típico. Frutas negras e vermelhas, acompanhadas por baunilha, canela, noz moscada e outras especiarias. Encorpado. Taninos elegantes. Fresco. Ameixa e amora maduras, bala toffee e um fundo especiado compõem os sabores em boca. Persistência 25+.

O safra do ano 1999 não é considerada uma boa safra naquela região, porém, ainda assim, a Bodega Luis Cañas conseguiu elaborar um vinho de bom corpo, com muita fruta e longevo. Se bem adegado, deve durar ainda uns 10 anos com boa evolução.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Barolo Casa Vinícola Morando 1999

Costigliole d'Asti




 Cereja, translúcido, bordas com leve atijolado. Nariz fechado. Abre com intensos aromas de ameixa, trufa, chocolate, notas terrosas, de especiarias e mel, também.



Em boca mostra-se potente e amplo. Repete o nariz. Bom corpo, com taninos muito finos e marcante acidez. Longo no retrogosto, com presença de trufa, principalmente.

Elaborado por Casa Vinícolo Morando, em vinhedos de Costigliole d'Asti. Deve estar no auge da sua evolução, mas tem estrutura para suportar ainda alguns anos bem adegado.

Vai bem com pratos estruturados. Companhia perfeita para o delicioso Brasato al Barolo. Eu prefiro um vinho como este, praticamente, sozinho à mesa. Queijos, pães e um belo azeite, na companhia da amada, são suficientes para a harmonização perfeita.
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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Tauromaquia: Pedro Ximenez "de morder"

Bodegas Perez Barquero elabora este dulcíssimo Pedro Ximenez com uvas passificadas, respeitando a tradição de Montilla-Moriles. Envelhecimento oxidativo em sistema de criadeiras e solera. 16% vol álc.

Generoso desde a cor, sua tonalidade lembra um mel bem escuro, que tinge a taça. No nariz, figos em calda, nozes, frutos secos e mel. Untuoso e muito estruturado, os sabores doces, como esperado, dominam em companhia com algum tostado. Caramelo é um bom descritivo. Café também surge. Fim de boca interminavelmente doce.

Dado o seu dulçor, a companhia à mesa deve ser escolhida com cuidado. Nesta ocasião, escolhi um creme brulle, elaborado e flambado com açucar mascavo e aromatizado por limão siciliano. Achei que o excesso de doce brigou. Uma sobremesa menos doce, com mais acidez, deve funcionar melhor. Uma alternativa é serví-lo com uma pedra de gelo na taça, um costume local.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Cuvée Tuffeaux 2007

Este tinto é o terceiro e último vinho deste meu rápido passeio pelo Vale do Loire. Foram dois tintos e um branco, deliciosos, que fizeram nascer uma nova paixão. Há muito que se explorar ainda, mas o frescor e a elegância destes vinhos acertaram em cheio o meu paladar.

Há algum tempo eu buscava provar este vinho com mais atenção, pois fora a minha escolha no painel às cegas do Encontro de Vinhos (confira aqui).

Domaine Damien Lorieux é quem elabora este Cabernet Franc, cujas vinhas encontram-se na AOC Bourgueil.

Rubi, brilhante e translúcido. Cativante ao nariz, apresenta interessantes nuances de frutas vermelhas (goiaba e morango, principalmente), tostados (bacon) e herbáceos (tomilho, sálvia, manjericão).

Na boca, taninos finos e muito frescor, num corpo médio. Sabores repetem as frutas vermelhas e o tostado. Persistência 15+.

Bom para a mesa (grelhados, risotos etc) ou para bebericar sozinho.
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