quarta-feira, 2 de julho de 2014

Vinhos de Hoje... Um recomeço!

Leitor, Amigo,

Depois de escrever ativamente por 2 anos aqui no Azpilicueta e ficar outros 2-3 anos inativo, uma ausência que, em parte, se explica pelo nascimento das minhas filhas, gêmeas, Helena e Heloisa, a paixão por escrever sobre o vinho me (re)tomou de assalto e há cerca de um mês eu estou na ativa novamente.

Uma nova fase, marcada por uma nova marca, Vinhos de Hoje… Conduzida, porém, com os mesmos propósitos de outrora: falar sobre o que provo, sobre o que gosto de provar e, principalmente, instigar ao conhecimento.

O blog Vinhos de Hoje já nasce com uma estrutura de assuntos sugerida, afinal, sem saber onde chegar, não temos segurança em nosso caminhar… Porém, passo a passo, esta estrutura deve ser complementada e recheada, enfim, construída… E peço a você, leitor do Azpilicueta, que passe a me acompanhar nesta nova jornada… Que contribua, colabore, com este novo espaço… Para que ele seja mais do que o Blog do “Marcus”, mas sim, um espaço interessante para abordar o assunto vinho, que tanto gostamos, certo?

Seja bem vindo!

E, claro, muito obrigado por me acompanhar neste período... Um período de silêncio, mas de gratas surpresas e muita satisfação, no qual, mesmo sem atualizações, o Azpilicueta recebeu um volume considerável de visitas diárias! Muitíssimo obrigado, mesmo!

Abraço,

Marcus
marcus@vinhosdehoje.com.br

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Mocén Rueda 2007

Bodegas Antaño elabora este branco, com parcelas iguais de Verdejo e Viura, colhidas em vinhedos da DO Rueda, Espanha. 12% vol álc.

Amarelo dourado, límpido e brilhante.


Nariz franco, com abacaxi, guaraná, maçã, pêra e mel

Em boca é fresco e leve. Nos sabores, principalmente o mel e os cítricos. Persistência 10+.

Comprado em uma ponta de estoque no início deste ano, a descrença proporcionada pela idade e pelo baixo preço (preconceito), plantaram em minha mente um destino certo: a panela. Porém, ao provar uma taça, tive a certeza de que proporcionaria prazer, também, à mesa.

Depois disto, em um nublado domingo, o escolhi para acompanhar almoço com meca grelhada e creme de escarola. A maturidade dos seus sabores foi determinante para encarar tão bem este peixe de sabores e textura marcantes. O frescor continua credenciando-o como bom parceiro para os peixes e os frutos do mar.

Está em bom momento de consumo e creio que deve ser consumido logo.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Amativo 2003

Este tinto, corte de 60% Primitivo e 40% Negroamaro, é elaborado por Vinícola Cantele, a partir de seus vinhedos em IGT Salento, na Púglia, região ao sul da Itália. Após a fermentação malolática, o vinho passa por afinamento em barricas de carvalho por 10 meses. 14,5% vol álc.

Rubi com bordas atijoladas, brilhante e levemente translúcido.

Nariz com presença das frutas vermelhas e negras, como cereja, framboesa, amora e ameixa. A madeira também está presente, de forma elegante, com discreta baunilha e alguns tostados. Florais, especiarias e balsâmicos completam a paleta.

Passo por boca é macio, com boa integração entre os elegantes taninos e a alegre acidez. Sabores repetem o frutado, o especiado e a madeira do nariz. Fim de boca com longa permanência das frutas vermelhas e dos tostados. 20+

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Tortoise Hill Red 2006


Vem de Paarl, África do Sul, este tinto elaborado pela Vinícola Glen Carlou. Inusitado corte de 77% Cabernet Sauvignon, 13% Shiraz, 5% Merlot, 4% Zinfandel e 1% Tempranilo, que estagia por 15 meses em barricas de carvalho francês e americano. 14% vol álc.

Rubi com reflexos tendendo ao granada. Límpido e brilhante. Média densidade.

Nariz com presença de frutos vermelhos e negros, madeira, baunilha, pimentão e especiarias. Começa fechado e se abre após 15 a 20 min em taça.

Corpo médio, taninos firmes e elegantes e muito frescor. Palato é marcado pela presença frutada em companhia da madeira. Fim de boca com tostados e alguma especiaria. Persistência 15+

A sua acidez pede a companhia de comida. Para variar um pouquinho, as massas com molhos vermelhos e as carnes serão companhias interessantes. Caponata e outros pratos com beringela podem ser uma boa pedida também.

Nesta ocasião, em que retornamos ao Innominato Osteria, provamo-lo ao lado do saltimboca de filé (recheado com palmito) e do penne a frascatana (molho tomates frescos e mussarela de búfala). O resultado final foi menos elegante que o anterior, com o Prelúdio 2007, mas foi também muito bom, principalmente em função do seu frescor e do final de boca (em que a madeira aporta notas tostadas que se encontram bem com o filé) e todos à mesa elogiaram.

Está em ótimo momento de consumo e não creio que apresentará qualquer evolução. Deve permanecer neste estágio por um ano mais.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Eme 2007: Graciano, a graça da Rioja...

Casado Morales elabora este monovarietal Graciano, com uvas colhidas de vinhas de idade superior a 30 anos, na tradicional Rioja espanhola. Porém, naquela região, a tradição está nos blends. Eis que aqui o blend está no carvalho, que vem da França, EUA, China, Romênia e Hungria, nos quais o vinho estagia por 11 meses. Após engarrafado, outros quatro meses nas caves da vinícola. 13,8% vol álc.

Rubi com reflexos granada. Límpido, denso e brilhante.

Nariz com presença de ameixa, cereja, morango (geléia), framboesa, caramelo, tostados, chocolate, especiarias, páprica doce  e florais.

Corpo médio e acidez presente. Seus taninos são, ao mesmo tempo, finos e elegantes, porém, marcantes e vigorosos. Passo por boca é suave e repete, em sabores, aquilo que se apresentou em aromas no nariz. Fim de boca marcado por morango, framboesa e caramelo! Persistência 20+

Apresenta a elegância dos vinhos da Rioja espanhola. Sua presença aromática é certamente similar, mas no palato é que se percebe a maior contribuição que esta casta aporta aos tintos desta DOCa. Que corpo... Elegância e suavidade. Seda pura!

Sozinho ou com comida? Não importa como, desde que ele esteja presente.

Carnes vermelhas, como o T-bone steak, rubro e suculento, desta ocasião, serão companhias certeiras. Mas aquela lasanha do domingo, ou aquele risoto de funghi do sábado à noite, ou ainda o charuto de folha de uva (com a presença terrosa do cominho), de qualquer dia afortunado da semana, serão companhias certeiras.

Sozinho? Festa!

Vida longa pela frente. Em alguns anos perderá a alegria da juventude, mas ganhará em complexidade e austeridade.

PS: Desafortunadamente, a importadora não cuidou para que o vinho chegasse às minhas mãos com rótulo e contra-rótulo perfeitos, como o vinho merece. Motivo pelo qual lhe dedico o crédito da foto acima. By the way, verdade seja dita, procure pelo marcador abaixo e verá que os seus rótulos, aqui provados, sempre surpreenderam positivamente.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Winemaker’s Lot Riesling 2007

Elaborado pela gigante Concha y Toro com uvas Riesling de vinhedos localizados no Vale de Bio-Bio. 13% vol álc.

Amarelo palha, tendendo ao dourado. Reflexos esverdeados. Límpido e brilhante.

No nariz, a elengante presença dos aromas de damasco, melão, pimenta branca, noz moscada e pedra de isqueiro.

Fresco e com passagem macia pelo palato. Sabores a melão, pimenta branca e uma nova e persistente nota de abacaxi. 12+

Excelente momento de consumo. Deve suportar dois anos mais. Bem adegado, irá além.

Nesta ocasião, foi selecionado para acompanhar risoto de alho poró e atum selado no azeite. Suas notas aromáticas encontraram-se muito bem com as do risoto, que, aliás, deu-se muito bem, também, com o corpo do vinho. Com o atum, o encontro se deu pelo frescor do vinho, que suavizou o "peso" deste peixe de carne vermelha.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Prios Maximus Verdejo 2009

Este varietal Verdejo vem de Rueda, uma das muitas regiões produtoras de vinhos de Castilla y Leon, na Espanha. Quem o elabora é a Bodega De Los Rios Prieto. 13% vol álc.

Amarelo tendendo ao dourado, límpido e brilhante.

Nariz rico a frutos brancos, cítricos e tropicais. Maracujá, mousse de limão, pêra, maçã.

Levíssimo. Frutado se repete no palato, acompanhado por muito frescor. Maçã verde dá a nota final no retro-olfato. 10+

Vinho leve e refrescante, perfeito para acompanhar pratos de frutos do mar e pescados. Nesta ocasião, acompanhou camarão na manteiga, com alho e pimenta vermelha e ravioli de 3 queijos com molho de tomates frescos e camarões.

Suportou a untuosidade do primeiro prato, limpando o palato e preparando, assim, a próxima investida, além de dialogar em alto nível com o crustáceo. Já com o ravióli, sua acidez acentuou agradavelmente o frescor do molho e suas notas frutadas conversaram muito bem com o camarão e com o recheio de queijos. Nos dois casos, o conjunto cresceu.

Está em excelente momento de consumo e deve permanecer assim por mais um ano.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Prelúdio 2007

O enólogo Marco Danielle, do Projeto Tormentas, produz esse tinto com uvas  Merlot (70%), Cabernet Sauvignon (20%) e Cabernet Franc de vinhedos próprios (Vinha Solo) em Campos de Cima da Serra. Sem filtragem, sem conservantes e sem madeira. 12,7% vol álc.

Belo rubi, muita densidade e brilho. Bordas com discreta tendência aos tons granada.

Ao nariz, um passeio de frutas negras, couro, pimentão, alguma nota terrosa e, para quem gosta (meu caso), um agradável final levemente oxidado, lembrando os grandes Rioja envelhecidos.

A fruta se repete no palato, em harmonia com os taninos finos e o frescor típico dos vinhos gaúchos. Final poderia ser um pouco mais longo. 8+

Foi minha segunda experiência com o Prelúdio, porém, pela primeira vez, o apreciei com calma e na companhia de comida. Confirmou a impressão inicial, um belo vinho nacional. Muito correto e acima da média em sua faixa de preços. Deve suportar ainda mais algum tempo e será uma ótima pedida na companhia dos amigos.

Vinho de apelo gastronômico, foi muito bem ao lado de penne com molho de tomates frescos e manjericão e saltimboca de filé com recheio de palmito assado (Innominato Osteria, em São Paulo). Acidez perfeita para a massa e corpo correto para a carne. Definitivamente, irá bem ao lado de massas com molhos vermelhos.

domingo, 1 de maio de 2011

Maderos de San Juan Tempranillo 2008: Nem só de Tannat vive o Uruguai! #cbe

Este tinto é a minha escolha para retornar às atividades da Confraria Brasileira dos Enoblogs. O tema "Tempranillo em qualquer faixa de preços" foi sugerido pela confreira Fabiana do blog Escrivinhos.

Vem do terroir de Colonia del Sacramento, Uruguai, este varietal Tempranillo que é elaborado pela vinícola Los Cerros de San Juan. 12 meses em barricas e outros 12 meses em garrafa antes de iniciar a comercialização. Comportados 12,5% vol álc.

Vermelho granada, denso e brilhante.

Nariz apresenta boa integração entre a fruta e a contribuição do carvalho em que foi envelhecido. Presença de amora, mirtilo, ameixa, cereja, chocolate ao leite, baunilha e canela. Boa complexidade e densidade.

Corpo médio para leve, taninos ainda um pouco verdes e acidez vivaz. Sabores em boca repetem os aromas captados no exame olfativo. Final de boca ligeiro com presença frutada.

Beber ao redor dos 16oC, pois acima o álcool deixa de ser tão comportado e surge um final de boca amargo.

Deve afinar os taninos nos próximos dois anos, porém não creio que tenha estrutura para longa guarda. Também não acredito que ganhará muito mais complexidade de aromas.

Com certo apelo gastronômico, principalmente pelo frescor e pelo álcool comportado, nesta ocasião acompanhou risoto de shitake e shimeji flambado no próprio vinho.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Viña Salort Tannat Roble 2005

Traversa Vinos Finos elabora este 100% Tannat com passagem de 6 meses em barricas novas de carvalho americano. Os vinhedos estão localizados no Departamento de Montevideo, capital do nosso vizinho Uruguai. 13,5% vol álc.

Rubi com bordas levemente atijoladas. Grande concentração de cor.

Nariz expressivo, domina o ambiente ao ser servido. Camadas de frutas negras, notas tostadas e especiarias.

Encorpado, taninos finos e elegantes e médio frescor. Vinho carnudo, passa elegantemente por boca e desfila notas frutadas e da passagem pela madeira. Longo. 20+

Mostrou força para encarar o peso da costela e elegância para casar com o aromático arroz de carreteiro. Ao contrário do que se imagina quando têm-se pela frente um Tannat, este irá bem, também, sozinho.

Está em excelente momento, possivelmente no ápice - ou muito perto dele - da sua maturidade. Tem estrutura para suportar de três a cinco anos mais.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Pazo Barrantes 2006: Albariño e Bacalhau, tudo a ver!

Elaborado por Pazo de Barrantes, uma vinícola do grupo espanhol Murrieta, este varietal Albariño estagia por 5 meses em barricas de carvalho. 13% vol álc.

Amarelo dourado, límpido e brilhante.

Nariz com marcante presença de frutas brancas, amarelas e cítricas, complementadas por uma nota vegetal. Desfilam banana, maçã, manga, pêssego e maracujá.

Redondo passo por boca, marcado por muito frescor e médio corpo. Palato é marcado por limão siciliano, maçã e notas vegetais. Final de boca longo. 15+

Ainda com alguns anos pela frente (se bem conservado), este galego das Rías Baixas, me apresentou duas novas situações:

* Os vinhos brancos, em condições adequadas de elaboração e armazenamento, envelhecem bem e ganham muito em complexidade.

* Se barricados e de bom corpo, os brancos são excelente opção para acompanhar o bacalhau da semana santa - e do ano inteiro!

Nesta sexta-feira especial, acompanhou duas preparações de bacalhau: escondidinho (com purê de mandioquinha e cobertura de catupiry) e postas assadas ao azeite com tomates e aspargos. Combinou com os dois. Encarou a untuosidade e a diversidade aromática do escondidinho, criando um conjunto elegante e amplo. Ao lado das postas, seu frescor suavizou a sensação de "mar concentrado" a cada bocado do peixe salgado.



quarta-feira, 20 de abril de 2011

Alto de La Ballena Rosé 2010: Rosado de peso!

Este rosé vem do terroir de Maldonado, no Uruguay. Os vinhedos ficam nas encostas da Serra de la Ballena, uma bucólica região, próxima a agitada Punta del Este. Em seu corte entram a Cabernet Franc (70%) e a Merlot. Sem passagem por carvalho. 13% vol álc.


Na taça apresenta uma bela cor vermelha, brilhante e translúcida.

Nariz com presença de frutos vermelhos e um toque cítrico. Morango e framboesa, acompanhadas por limão siciliano. Há, ainda, um aroma doce, de fruto maduro, que eu não consegui identificar.

Encorpado, acima da média dos vinhos rosés. Frescor marcante e um passo suave por boca. Em temperatura mais baixa, o frescor sobressai. Um pouco mais quente, o equilíbrio dá o tom. Retrogosto marcado pelo morango, com um toque especiado. Boa persistência. 10+

Em função do corpo, a companhia à mesa precisa ser pensada com carinho, pois, se por um lado o seu "peso" lhe permite encarar companhias mais ousadas (como um filé em um dia quente de churrasco, por exemplo), por outro, as entradinhas tradicionais serão atropeladas.

Neste caso, foi escalado para encarar um almoço que há muito eu ansiava por preparar: Moqueca Baiana de Camarão. Emho, foi uma escolha acertada. Encarou com vigor a moqueca. Esteve em sintonia com o camarão. À altura do rico caldo (dendê, tomate, pimentões, leite de côco e caldo de camarão). Perdeu apenas para o pirão, que como era apenas para mim, ganhou o aditivo de pimenta dedo-de-moça e ficou bastante "quente" (porém, ao meu gosto).

Abaixo, fotos da Moqueca e da maravilhosa vista que se tem a partir do deck de degustação da vinícola.

(desconto para o cheiro verde que ainda não havia sido incorporado)

(esta visita vale uma postagem...)

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Miros Tinto Roble 2007: TSM da Ribera del Duero

Bodegas Peñafiel elabora, em Ribera del Duero, este tinto, corte de Tempranillo, Cabernet Sauvignon e Merlot, na proporção de 85%, 5% e 10%, repectivamente. Estágio de ligeiros 3 meses em barricas de carvalho francês. 14% vol álc.

Algumas regiões vinícolas da Espanha, em especial Navarra e Ribera del Duero (com o Vega Sicilia Único, por exemplo), tem apostado em cortes com estas três uvas. TSM, de Tempranillo, cabernet Sauvignon e Merlot.

Nosso vinho apresenta na taça um belo rubi, de reflexos violáceos, algum brilho e densidade.

Nariz com frutas negras como amora e ameixa além da vermelha cereja, todas em boa maturidade. Complementam um discreto toque da madeira, além de pimentão, canela e mentol.

Taninos ainda jovens, que amadurecerão no próximo ano - ou dois, quem sabe?. Muito frescor, médio corpo e uma gostosa fruta madura completam as sensações no palato. Ao final, discreto amargor e uma pontinha de álcool. A amora e a cereja permanecem longamente no retro-olfato. Persistência 15+.

Um vinho ainda jovem e descomplicado, com certa “carne” e buquê, que agrada e convida ao próximo gole. Deve afinar nos próximos dois anos.

PS.: Este vinho já chegou com o malfado selo fiscal que, em emho, apenas "enfeiou" a garrafa. Feio com ele, feio sem ele. Não adianta removê-lo, pois a cápsula fica com uns pedacinhos colados. Triste...

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Yealands Way Pinot Noir 2009

Elaborado por Yealands Estate, uma vínicola com certificação carbon Zero, em Marlborough, Nova Zelândia, este varietal Pinot Noir estagia (30% do vinho) em barricas francesas (novas, de segundo e terceiro uso). 13,5% vol álc.

Rubi, brilhante e translúcido.

Nariz com frutas vermelhas, ervas aromáticas, especiarias e florais. Cereja, morango, cravo, tomilho e mangerona, entre outros, compõem uma instigante paleta aromática, de expressão mais contida, porém elegante e consistente.

Leve, quase magriço. Taninos finos e elegantes, em perfeita harmonia com a acidez viva. Repete o nariz. Cereja persiste por bom tempo nas retronasais. Na temperatura correta, uma nota doce marca o fim de boca, já com a temperatura um pouco mais alta, surge uma pontinha de álcool, que não chega a incomodar. 15+.

Seu estilo preza pela elegância, em detrimento da potência. Os aromas são elegantes e sutis e mostra-se muito amável no passo por boca. Irá bem com comidas simples, como um frango grelhado ou uma massa ao sugo, ou, ainda, torradas, patês, queijos e embutidos. É uma interessante opção para o dia a dia ou para reuniões descompromissadas.

Está em excelente momento para consumo e deve permanecer assim por mais um ano ou dois, porém, não apresenta potencial evolutivo para maior guarda.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Golden Triangle Pinotage 2008

Elaborado por Stellenzicht, em Stellenbosch, África do Sul. Varietal de Pinotage, com 14 meses de amadurecimento em barricas francesas (60%) e americanas. 14% vol álc.


Na taça apresenta um belo rubi com traços violáceos, muita densidade e brilho.

Ao serví-lo, nota-se sua expressão aromática. Boa integração entre frutas (amora e mirtilo, principalmente), notas de torrefação, baunilha, chocolate e especiarias. Aromas intensos que persistiram por mais de duas horas, até que o líquido evaporasse.

Corpo médio, taninos firmes e acidez presente. Elegante. Bom passo por boca, com final macio. Palato é marcado, principalmente, pelo frutado do nariz, com um toque defumado. Longo. 20+

Perfeito com queijos, nesta ocasião melhor com o gorgonzola, conversou com o montanhês. Irá bem com carne vermelha grelhada - e suculenta - e massa com molho de cogumelos (e por que não, um risoto de shitake?).

Assim como os últimos Pinotages que provei, este me agradou muito, não apenas por sua paleta aromática, que apresenta interessante complexidade para a faixa de preços, mas também por sua presença no palato, com um passeio suave e macio pelas papilas gustativas, sem amargor ou álcool aparentes. Parece estar em seu melhor momento de consumo e deve se manter assim pelos próximos dois anos.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Señorio da Regas 2009: Um corte de Albariño com muito frescor e intensidade...

Elaborado por Adegas Castro Brey em Camanzo, DO Rias Baixas, Espanha. Um gostoso corte de Albariño, Torrontés, Treixadura e Godello, com comportados 12,5o alc.

Amarelo tendendo ao dourado. Límpido e brilhante.

Intenso ao nariz. Frutas tropicais e brancas (maduras e no ponto ótimo de doçura), florais e pedra de isqueiro, além de uma nota herbácea (que não consegui definir).

Corpo médio, untuoso e fresco. Pêra, maçã verde. Final redondo. Retroolfato com uma interessante nota de gengibre. Persistência 10+.

Perfeito para dias de calor mais intenso. Ponto alto na companhia de mariscos, ostras e frutos do mar. Nesta ocasião acompanhou ravioli de carne ao creme de queijo. Se deu bem, mas não chegou a ser um delírio...

terça-feira, 22 de março de 2011

Rioja Reserva 99 e Lasanha ao Ragú de Cordeiro se completam muito bem...

O Rioja em questão é um Luis Cañas Reserva 1999. Corte típico, com predominância da Tempranillo e um pequeno aporte de Graciano (para dar graça ao vinho), ambas de vinhedos antigos. Envelhecido por 3 anos em barricas francesas e americanas.

A Lasanha, recheada com ragú de cordeiro em redução de tinto (a base de garnacha) com alcachofra e abobrinha e um toque de pimenta calabresa ao final, era a tentativa de reproduzir um prato que eu havia visto em um programa de televisão. O resultado final foi um prato de sabor pronunciado e boa untuosidade.

O casamento foi muito bom, com o vinho levantando os sabores típicos do cordeiro e com a acidez tratando muito bem da untuosidade do ragú.

Vamos ao vinho...

Rubi, brilhante e translúcido. Bordas acastanhadas, demonstrando alguma evolução.
Nariz intenso e típico. Frutas negras e vermelhas, acompanhadas por baunilha, canela, noz moscada e outras especiarias. Encorpado. Taninos elegantes. Fresco. Ameixa e amora maduras, bala toffee e um fundo especiado compõem os sabores em boca. Persistência 25+.

O safra do ano 1999 não é considerada uma boa safra naquela região, porém, ainda assim, a Bodega Luis Cañas conseguiu elaborar um vinho de bom corpo, com muita fruta e longevo. Se bem adegado, deve durar ainda uns 10 anos com boa evolução.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Barolo Casa Vinícola Morando 1999

Costigliole d'Asti




 Cereja, translúcido, bordas com leve atijolado. Nariz fechado. Abre com intensos aromas de ameixa, trufa, chocolate, notas terrosas, de especiarias e mel, também.



Em boca mostra-se potente e amplo. Repete o nariz. Bom corpo, com taninos muito finos e marcante acidez. Longo no retrogosto, com presença de trufa, principalmente.

Elaborado por Casa Vinícolo Morando, em vinhedos de Costigliole d'Asti. Deve estar no auge da sua evolução, mas tem estrutura para suportar ainda alguns anos bem adegado.

Vai bem com pratos estruturados. Companhia perfeita para o delicioso Brasato al Barolo. Eu prefiro um vinho como este, praticamente, sozinho à mesa. Queijos, pães e um belo azeite, na companhia da amada, são suficientes para a harmonização perfeita.
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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Tauromaquia: Pedro Ximenez "de morder"

Bodegas Perez Barquero elabora este dulcíssimo Pedro Ximenez com uvas passificadas, respeitando a tradição de Montilla-Moriles. Envelhecimento oxidativo em sistema de criadeiras e solera. 16% vol álc.

Generoso desde a cor, sua tonalidade lembra um mel bem escuro, que tinge a taça. No nariz, figos em calda, nozes, frutos secos e mel. Untuoso e muito estruturado, os sabores doces, como esperado, dominam em companhia com algum tostado. Caramelo é um bom descritivo. Café também surge. Fim de boca interminavelmente doce.

Dado o seu dulçor, a companhia à mesa deve ser escolhida com cuidado. Nesta ocasião, escolhi um creme brulle, elaborado e flambado com açucar mascavo e aromatizado por limão siciliano. Achei que o excesso de doce brigou. Uma sobremesa menos doce, com mais acidez, deve funcionar melhor. Uma alternativa é serví-lo com uma pedra de gelo na taça, um costume local.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Cuvée Tuffeaux 2007

Este tinto é o terceiro e último vinho deste meu rápido passeio pelo Vale do Loire. Foram dois tintos e um branco, deliciosos, que fizeram nascer uma nova paixão. Há muito que se explorar ainda, mas o frescor e a elegância destes vinhos acertaram em cheio o meu paladar.

Há algum tempo eu buscava provar este vinho com mais atenção, pois fora a minha escolha no painel às cegas do Encontro de Vinhos (confira aqui).

Domaine Damien Lorieux é quem elabora este Cabernet Franc, cujas vinhas encontram-se na AOC Bourgueil.

Rubi, brilhante e translúcido. Cativante ao nariz, apresenta interessantes nuances de frutas vermelhas (goiaba e morango, principalmente), tostados (bacon) e herbáceos (tomilho, sálvia, manjericão).

Na boca, taninos finos e muito frescor, num corpo médio. Sabores repetem as frutas vermelhas e o tostado. Persistência 15+.

Bom para a mesa (grelhados, risotos etc) ou para bebericar sozinho.
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