terça-feira, 27 de julho de 2010

8 vinhos, 6 países, Novo e Velho mundo bem representados...

Noite dessas um bem frequentado grupo de blogueiros do vinho se reuniu, e lá estava eu. Fora convidado a participar desta reunião pelo amigo Cristiano Orlandi, Vivendo Vinhos. Verdade seja feita, não era o primeiro convite. Felizmente, nesta oportunidade pude me reunir com a turma. Muita gente bacana, cheia de conteúdo. Na véspera, a troca de emails para a definição de vinhos, restaurante e outros detalhes deixou claro que seria uma boa experiência.

Estavam lá o João Filipe Clemente (Falando de Vinhos, maior especialista em espumantes para casamentos e bodas de todas as graduações desta blogosfera, e se você não acredita, visite o post Espumantes e Casamento e aproveite para pedir a sua ajuda), Daniel Perches (Vinhos de Corte), Beto Duarte (Papo de Vinho, que organiza com o Daniel o Encontro de Vinhos), Alexandre (Diário de Baco), Claúdio (Le Vin au Blog) e Gilberto, além de mim e do Cristiano.

O Restaurante escolhido foi o La Marie, já comentado aqui.

Os vinhos foram:

* Era dos Ventos Peverella, 2008, Brasil - Do tipo ame ou odeie, despertou menos sentimentos nobres do que o esperado. Cara de Jerez bem leve, parecendo um Manzanilla, zero acidez, notas de oxidação, pimenta rosa e outras coisas interessantes, mas inesperadas em um branco fino - e tranquilo. Eu, que gostei muito, o abriria sozinho, sem comida nem companhia, pois é de difícil compreensão.

* Tamaya Winemaker's Selection Single Vineyard SB 2007, Valle del Limari, Chile - Veja aqui um comentário recente que fiz. Manteve-se muito parecido, com fruta exuberante, boa acidez e muito vivaz.

* Catena Zapata CF Alta 2002, Argentina - Cheio de fruta e boa madeira, terminou com um gostoso chocolate. Bom corpo, taninos elegantes e bom frescor. Ainda jovem, parece poder suportar evolução por mais dois ou três anos, pelo menos.

* Sonsierra Reserva 2002, Rioja, Espanha - Este Rioja, 100% Tempranillo, apresentou um belo rubi, com suave toque de evolução, muito brilho e alguma transparência. Nariz interessante, porém com menos tipicidade do que costumo encontrar nos Reservas desta DOCa. Bom corpo, taninos e acidez em equilíbrio. Evoluiu bem em taça. Elegante, para beber sozinho ou na companhia de pratos com molhos leves. Merece ser aerado por 1 horinha. Decanter é uma boa.

* Brancaia Tre Marema 2007, Toscana, Itália - 80% Sangiovese e partes iguais de CS e Merlot. No nariz apresentou mais das castas francesas. Equilibrado e refrescante, bom corpo, taninos elegantes e acidez característica. Longo em boca. Evoluirá por muitos anos ainda.

* Xavier Châteauneuf-du-Pape Rouge 2007, França - Belíssimo vinho, pareceu-me que foi cometido um infanticídio. Não vou me alongar, por que, francamente, suas características requerem maior reflexão do que eu lhe dediquei. Espero revisitá-lo daqui há uns dois anos, ou mais, quem sabe...

* Finca Villacreces 2004, Ribera del Duero, Espanha - Rubi, denso. Nariz com aquele acento tipicamente espanhol, fruta, canela, côco, boa madeira. Estruturado, taninos firmes, boa acidez. Vai longe. À mesa, pede companhia igualmente estruturada. Não à toa, foi um dos escolhidos para acompanhar o cassoulet. Gostaria de reencontrá-lo daqui há uns 10 anos. E, quem sabe, depois, novamente, em outros 10. Lá no final, talvez já esteja na descendente, mas é provável que ainda mantenha alguns predicados. Outro que merece um decanter.
 
As notas são curtas e sem detalhes, por que são frutos da minha memória. Creio que diante de vinhos tão bons, ela não me trairia, mas fique à vontade - aliás, é praticamente uma obrigação - para visitar os demais enoblogs e conferir as outras opiniões. Melhor ainda será prová-los.
 
Lá pelas tantas, o pessoal da mesa ao lado nos ofereceu uma taça de um tinto bastante rubro e denso, esperavam nossa avaliação. Eram da Casa Valduga, e o vinho em questão, o Villa-Lobos Cabernet Sauvignon (não me lembro a safra, mas creio ser a última). Ao nariz, acento típico da Serra Gaúcha. A garrafa mudou de mesa e nos acompanhou até o final. Outro vinho que merece ser revisitado com maior dedicação. Este, porém, espero que aconteça mais brevemente. Grato pela gentileza!
 
Enfim, uma reunião de vinhos que aguçou olfato e paladar e uma coletânea de boas idéias e risadas em que as melhores partes, por total restrição da palavra escrita, não podem ser representadas aqui, mas é fato que foi uma noite muito agradável.
 
Já o fiz mais de uma vez, mas aproveito também esta oportunidade para agradecer, ao Cristiano, o convite, e aos demais, a boa acolhida. Espero que novo reencontro possa ocorrer em breve.

4 comentários:

João Filipe Clemente disse...

É, tem gente que gosta de viver perigosamente, mas mesmo assim, bem-vindo á turma Marcos. Na Sexta publico os meus comentários sobre esse encontro que, como sempre, foi delicioso!
Salute e kanimambo

Marcus disse...

Valeu João. Vc resumiu bem, o encontro foi delicioso mesmo. O Pomerol tá guardadinho...

Abs.,
Marcus

Eugênio Oliveira disse...

Caro Marcus,

Só corrigindo, o Era dos Ventos Peverella é 2008 e não 2007(não houve essa safra). Quanto ao vinho eu o ADORO, mas reconheço que é de difícil compreensão, um vinho desconcertante, assim como seu "irmão mais velho" Cave Ouvidor. Terá melhor aceitação por aqueles familiarizados com os brancos naturais do Loire (Savennières,Saumur,Sancerre,Anjou)
ou mesmo os vinhos brancos do Jura.

Tenho um post sobre o Era dos Ventos e o Cave Ouvidor no meu blog, se te interessar dê uma olhada.

Um abraço.

Eugênio Oliveira
www.decantandoavida.com

Marcus disse...

Eugênio,

Obrigado pela correção. Já atualizei o artigo.

Como citei, eu gostei muito do vinho, mesmo não tendo familiaridade com todos estes brancos que você mencionou. É daqueles que ficam na memória. Exige reflexão.

Abs.,
Marcus

Alguns outros posts interessantes...